Oly Jr.
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sábado, 30 de março de 2013






Sobre Diego Lopes & Bebop X Ben Folds Five

Bueno, se instalou mais uma polêmica musical em Porto Alegre, envolvendo o disco Diego Lopes & Bebop do músico/compositor Diego Lopes, que estava indicado ao Prêmio Açorianos de Música 2012/2013 na categoria "Melhor Compositor", do gênero Pop, que por sinal, foi decretada momentaneamente sua desclassificação, por uma comissão julgadora do Premio Açorianos de Música, que logo depois voltaram atrás para a melhor discussão e debate sobre o assunto. Para entender acesse os links no final da postagem.
Resumindo, o Diego Lopes foi acusado de plagiar algumas ideias de letras, harmonias e títulos de canções de um músico/compositor chamado Ben Folds. Mais especificamente do disco Ben Folds Five.
Ouvi as músicas que supostamente teriam ligação e semelhança, assim como outras canções que tive acesso do Diego Lopes e do Ben Folds. E realmente tem uma semelhança sonora gritante!! Até aí tudo bem!! Eu sou músico/compositor/intérprete/teimoso, trabalho a 15 anos com música e afirmo que todo mundo sofre uma influência consciente e inconsciente em qualquer trabalho fonográfico e estético. Mas o caso ali, é mais que influência. São cópias literais de frases, títulos de canções e passagens harmônicas, do disco Diego Lopes & Bebop, em relação ao disco Ben Folds Five. Claro que não é o disco inteiro. São algumas canções e algumas frases, pelo que eu pude perceber, levando em consideração a matéria jornalística e as músicas que eu escutei.
Aí vem tiroteio de tudo quanto é lado. Amigos do cara, amigos dos concorrentes dele, pessoas que curtem o trabalho, que detestam, pessoal que tem ojeriza pela Zero Hora, leigos, especialistas em música, teorias conspiratórias e etc.
Eu nem iria me aprofundar no assunto, não fosse um monte mensagens que eu recebi no Facebook, me perguntando se eu estava a par dos acontecimentos. Então resolvi, me manifestar no intuito de gerar reflexão sobre o tema.

Eu penso o seguinte:
Em primeiro lugar, acho que o Mr. Diego poderia dizer na mídia que foi totalmente inspirado no Ben Folds, que foi uma baita referência e usou frases e títulos de canções dele como ponto de partida, e que realmente passou batido a menção no encarte! Até porque, mais de 70% (estimativa superficial) do fator criativo do disco, como letras, músicas e títulos das canções são de autoria dele!
Creio que baixaria a poeira em cima da polêmica e a coisa andaria por um caminho mais tranquilo e menos passional!
Uma coisa é tu seres influenciado pelo formato e até se inspirar pelo tema da canção e coisa e tal. Outra é tu praticamente traduzir algumas frases de uma canção e até títulos de canções. Ainda mais quando a tua referência é bem definida na questão do conceito sonoro e estético.
Será que o Diego Lopes ou sua produção sonora subestimaram a informação virtual??
Coincidências dentro de uma obra extensa é quase que fatal!! Mas num único disco??
Acontece que a tecnologia musical e o estreitamento do mundo por conta da internet, tomam dimensões inimagináveis! Todo mundo sabe muito de vários poucos!! E numa dessas alguém pescou o lance!! A similaridade ou uma suposta cópia descarada.
Os "porques" de certas atitudes são coisas por demais pessoais e não cabe o julgamento, aqui, em relação a quem acusou e os envolvidos das obras.
O fato é que tem muita, mas muita similaridade e até versos literalmente traduzidos!!
A mim, passaria totalmente despercebido, pois não conhecia o Ben Fods. E realmente achei tri boas as músicas do Diego Lopes. Digo que as músicas são dele, pois a ideia e a consumação da obra, são dele!! Se apropriando ou não, de alguns conteúdos conceituais e literários!!!
Muita gente faz isso!! Muita gente FEZ isso!! Mas também, muita gente respondeu juridicamente por isso!! Outros passaram imunes. Talvez porque não atingiram um nível midiático que abrangesse um número considerável de pessoas, onde a probabilidade de comparação se fizesse. Ou ainda, talvez certos ouvintes não conheçam as fontes de certos artistas musicais, que possam relacionar a sua obra e pescar alguma eventual cópia.
Led Zeppelin já plagiou os blueseiros... Bob Dylan já foi processado no início da carreira por registrar um título de música idêntico a uma canção de um cara que tocava em botecos de Nova York... o Rod Stewart veio num carnaval, ouviu Jorge Ben e fez uma melodia idêntica... Roberto Carlos já perdeu um processo de plágio... ou seja, realmente isso tem aos montes!! E com artistas de extremo apelo mercadológico.
Eu entendo que existam dois mundos bem definidos: o da formalidade, seus sentidos morais, éticos e jurídicos, e o da informalidade com suas manifestações por vezes irregulares, ingênuas e ideológicas!! E claro, existe o mundo onde se faz uma mescla de formalidade e informalidade, conforme os interesses de cada um.
Acho interessante dizer também, que eu não tenho vínculo empregatício com a Zero Hora, ou com o jornalista que fez a matéria, nem com o Diego Lopes e muito menos com o Ben Folds. Minha ligação com as partes é por conta da rede de contatos musicais e informativos, que pro força das circunstâncias, acabamos por nos envolver.
Como cidadão da cidade de Porto Alegre e usuário de um site de relacionamento chamado Facebook, me deparei com o assunto. E como trabalho nessa área e me vi com um posicionamento em relação ao fato, já tendo me manifestando para alguns amigos próximos, resolvi publicar meu ponto de vista.

Voltando ao assunto, pra não perder o foco, penso que o problema não é usar uma estrutura melódica, exemplificando, de blues ou de milonga, mais especificamente, que são essências que determinam um gênero!! Mas acho que pro universo pop e rock, também podem se aplicar.
Seria um problema, na minha concepção, se eu pegasse um disco do Robert Johnson por exemplo, que tem a música "Crossroad Blues" e compusesse um blues chamado "Blues da Encruzilhada" e ainda por cima dissesse na letra: "eu fui numa encruzilhada e me ajoelhei.".
A do Robert Johnson diz: "I went down to the crossroads, fell down on my knees."
Seria uma apropriação!! Se eu expusesse de alguma maneira, de forma verbal e indicativa, no encarte, entrevistas, e coisas do gênero, talvez passasse despercebido!!! Mas se por descuido, inconsciência, ou até mesmo ocultação premeditada de tais menções, a coisa muda de figura!! Ainda mais se for discutido num âmbito midiático.
Outro exemplo: eu entrei no universo "blues" por causa da "Faxineira" do Nei Lisboa!! Gostei da letra e do formato da canção!! não sabia que era um blues no auge dos meus 14, 15 anos!! Mas no encarte dizia: a canção "Faxineira" é INSPIRADA num blues de Brownie Mcghee chamado "House Lady". Aí que eu me refiro!!!
Imaginem se eu pegasse uma canção milongueada do Jorge Drexler, que é mais atual, por exemplo, como a "Milonga del Moro Judio", e fizesse uma estrutura parecida, mas não igual, pusesse o nome de "Milonga do Mouro Judeu", compusesse várias frases minhas, mas com a mesmo contexto do Drexler, e lá pelas tantas na letra, eu usasse algumas frases da letra dele como, sei lá: "eu sou a poeira do teu vento, ainda que sangre de tua ferida" ( Yo soy polvo de tu viento, Y aunque sangro de tu herida)... e registrasse a música como de minha autoria e não mencionasse nada no encarte de um disco!! OK!! Poderia fazer!! A tentativa é livre! Mas cá pra nós, existe um risco de alguém pescar tal citação ou similaridade musical, conceitual ou estética. É do jogo!! E quanto mais gente escutar, quanto mais universos midiáticos o artista perambular, quanto mais organizações formais ele participar, maior vai ser a chance de comparação.
Sendo um pouco redundante, mas no intuito de ser claro, penso que se o Diego Lopes não tivesse sido indicado ao Açorianos, passaria totalmente despercebido o fato!
Mas como ele entrou numa seara que exige um certo critério, e sem entrar no mérito se isso é negativo ou positivo pra música e pra cultura, alguém atentou para tal semelhança e viu uma boa oportunidade de matéria jornalistica!!!
Eu sinceramente acho que não é de se crucificar o cara!! Longe disso! Até porque o artista pode ao longo dos anos se aprimorar, e realmente fazer um trabalho mais original, mesmo pegando elementos diversos ou específicos, ainda assim, pode fazer um troço bacana, mencionando, criando, copiando, reformulando.
Mas isso é eu que penso!!!
Vou terminar dizendo diretamente pro Diego: toca ficha, Mr.!! Estando ou não, no páreo do Prêmio Açorianos de Música, a busca por sabedoria e um sentido artístico e social, é o que move a insaciável e infinita necessidade de manifestação de um cidadão talentoso que quer trabalhar com cultura.

Até...




link 1: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2013/03/originalidade-de-album-que-concorre-ao-premio-acorianos-e-questionada-4083350.html



link 2: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/03/comissao-avaliara-permanencia-ou-exclusao-de-diego-lopes-no-premio-acorianos-4088068.html



link 3: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/03/especialistas-discutem-os-limites-entre-homenagem-apropriacao-e-plagio-nas-diferentes-linguagens-artisticas-4090554.html

quarta-feira, 27 de março de 2013